segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Consumismos

Compra-se um show no banheiro
Aluga-se um copo de chá de cadeira
Vende-se meia hora de reggae maneiro
Arrenda-se dois tragos de erva cidreira

Faz-se escova na capilaridade do poder
Empresta-se  à juros o juramento do juiz
Troca-se a sobrevida pelo direito de morrer
Permuta-se pincéis atômicos por um chão de giz

Parcela-se auto-escola de história na contra-mão
Distribui-se amostra grátis  de lutas sociais
Transfere-se maconha para a cuia de chimarrão
Anuncia-se o fim da mentira nas capas dos jornais

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E assim a farda segue puída e o consumo decrescente
Do fardo do fado que ingerimos fora da validade
Não tenho a cara polida, a idade contada nem a ressaca curada
Tenho sim uma faca para cortar a barba pendurada em varais
Mas, enfadado, engasgado com tantas empadas... não falo mais.


Fran Yan Tavares

4 comentários:

Roberta Tavares disse...

Se garante muito!!
Poesia não é para os fracos!
Sou sua fã! Te amo!

Carlos Ítalo Nogueira Alves disse...

Se garante muito, rapaz!
Esse é um poeta por essência,
aproveitando também o empirismo
de cientista social.Parabéns!

olá, sou joão miguel: disse...

Gostei muito da última estrofe. :~

É uma poesia quase 'científica-social' (aproveito esse antro de licença poética para criar neologismos!), como um diálogo poético com as questões sociais. A poética é social? Um social poético?

Fred Raposo disse...

porra fran,
sempre lendo,
e sempre admirando.

poucas coisas tem valido a pena ler.
essa figura entre aquelas, que te tiram da normalidade, e te fazem pensar, não pare de escrever não.