quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vazando vazio

Agora não mais procurava
o que sabia não encontrar
não tentava contar os fios ruivos
da barba rala que não fechava
não comprava o sono dos compêndios
que dormiriam no calor da estante
não engrossaria a marcha de bloco
cujo porta-estandarte não fosse um bêbado
não cativaria para não ser responsável
não apertaria coração que não pudesse bater
não telefonaria a cobrar nem cobraria telefonema
não queria nada do que havia sido, mas que parecesse com tudo...

Fran Yan Tavares

domingo, 23 de outubro de 2011

De sonho e promessas

Tirando isso, as coisas vão bem?
digamos que... sim.
acontece que "tirando isso"
é um móvel pesado demais
para o homem que prometera
carregar o peso mundo nos ombros
obscuro demais ao ponto de confundir-se
como os sonhos amontoados nos escombros

"Tirando isso" não teríamos a poesia
a ginga, a roda da saia, o toque das mãos,
o aguardo, os dentes, a boca e a aguardente
não teria o deixa pra lá, tá perdoado, esquece
nosso amor, vê se esquece, "tirando isso"
e o homem coronárias em ação, rindo e chorando
sem razão e a mala pesada como o móvel...
cheia do reflexo condicionado da conciliação!


Fran Yan Tavares

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ofício do traste

Brincando de desimportâncias
passei a tarde fazendo junturas
saudades em pontas de lápis
sorrisos na boca do apontador
sensualidades transbordando em pin-ups
serenidades na companhia do meu amor...


Fran Yan Tavares

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um barulho

Apenas
ou tudo isso que é nada
um nada tão largo
e não há braços para abraçar
nada nada nada
nem cuspe nem tapa
nem susto nem luxo
nem lama nem ama
nem chama nem cheira
nem beira nem mar
nem os olhos salgados
nem saia nem sandália
nem os vidros blindados
nem passagem para Maracangalha
nem choro nem sorriso nem incenso
apenas o nada mancomunado
com o o silêncio
e tudo faz um barulho ensurdecedor


Fran Yan Tavares

terça-feira, 3 de maio de 2011

Das matérias e dos viveres

Ela foi feita a partir da matéria das distâncias
eu fui forjado no sufoco das tristezas
um dia a vida há de nos entrelaçar
e nós seremos abraços apertados e alegrias...

Fran Yan Tavares

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Três

Amanhã será um dia de sorrisos
habitando a tarde haverá palpites
iluminando a noite serei delírios...

Fran Yan Tavares

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Conversa de segunda-feira

- Tenho que te apresentar alguém
ela é tranquilinha
gosta de um batuque na cozinha
aquele mesmo que  Sinhá não quer...
gosta de um sambinha saudoso
pingos de chuva camisa xadrez
um chapéu de bamba
e um beijo com tempero à gosto

- Ela tem facebook?
tem skype, msn ou orkut?
tem cep? qualquer coisa serve...
em casa ela tem ao menos uma janela
pela qual eu possa passar e olhar pra ela?


Fran Yan Tavares